Coordenadoria de Comunicação do Gabinete do Reitor - UFRJ www.olharvirtual.ufrj.br

Edição 319      9 de novembro de 2010


De Olho na Mídia

Redes Sociais: quebrando a barreira do preconceito

 

Elisa Ferreira

Ilustração: João Rezende

O preconceito é uma realidade presente no cotidiano brasileiro. Alguns meios ajudam a disseminá-lo, como é o caso da internet. Muitos são os casos de sites e blogs que incitam a discriminação, seja racial, socioeconômica, cultural ou religiosa. Uma forma, no entanto, vem chamando a atenção quando o assunto é preconceito: as redes sociais.
 Em outubro deste ano, um grupo de estudantes da Universidade Estadual Paulista (Unesp) criou uma modalidade de competição durante a edição deste ano do InterUnesp, em Araraquara.

No jogo, batizado de “rodeio de gordas”, os jovens disputavam para ver quem conseguia permanecer mais tempo sobre estudantes obesas. O jogo ganhou espaço no site de relacionamento Orkut, através de uma comunidade com as regras do jogo, fotos e tópicos com comentários dos participantes. Alguns outros estudantes compararam o “rodeio” com o caso da Geisy Arruda, aluna da UNIBAN/SP, hostilizada por colegas da faculdade devido aos seus trajes, em outubro de 2009.

Outro exemplo recente de preconceito nas redes sociais ocorreu após o segundo turno das eleições presidenciais. Em 31 de outubro de 2010, o Twitter e o Facebook foram palco de uma nova polêmica. A jovem Mayara Penteado Petruso, estudante de Direito, apoiada por alguns internautas, publicou frases de preconceito e discriminação contra o povo nordestino na internet, após a vitória de Dilma Rousseff (PT). Nas declarações, ela sugere o extermínio dos nordestinos e pede o fim do direito de voto para quem não mora na região Sudeste. Já na segunda-feira, Mayara tinha apagado seus perfis nas redes sociais. Mesmo assim, a seção pernambucana da Ordem dos Advogados do Brasil decidiu processar por crime de racismo todos os envolvidos – descrito na atual legislação brasileira como crime de preconceito e discriminação de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Segundo a Professora da Escola de Comunicação da UFRJ, Suzy Santos, a Internet tem o potencial de multiplicar o que demoraria mais tempo em redes tradicionais. “Por ser um território “livre” e por permitir o anonimato, a internet acaba sendo mais propícia à manifestação de preconceito. Ela pode permitir ondas de preconceito assim como pode também fazer parecer maiores fenômenos isolados.”, complementa Suzy.

Mudança

Na opinião da pesquisadora, é necessário criar programas de conscientização social para que as redes sociais voltem a desempenhar o seu papel original, ou seja, de reencontro, de buscas, de conversas, no qual a pessoa pode se comunicar com o próximo a qualquer distância. Não deve ser o local apropriado para manifestações preconceituosas. Para isso, é preciso que o governo assim como as instituições de ensino conscientizem a população, através de punição daqueles que estiveram envolvidos em qualquer caso de discriminação na Internet, mesmo os casos desconhecidos pela mídia, e eventos, com palestras e debates acerca desse tema.

Para a professora, a internet deve ser regulada e assim como qualquer outro ambiente coletivo deve ter algum tipo de regulamentação: “Isso não quer dizer necessariamente regulação de conteúdo”, explica Suzy. A censura não acarretará mudanças, a conscientização é a forma mais apropriada para exterminar a discriminação nas redes sociais. Já que, apesar de ser um meio de liberdade de expressão, não deve ultrapassar limites. O direito de uma pessoa acaba quando começa o de outra.