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Edição 284      02 de fevereiro de 2010


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Bloco da UFRJ desfila no próximo sábado

Marina Lins

O bloco “Ih, é carnaval” faz o seu desfile de carnaval neste sábado, dia 6, pela Avenida Pasteur, na Urca, com a concentração marcada para as 18h, no Diretório Central dos Estudantes (DCE) Mário Prata, no campus da Praia Vermelha. Em seu oitavo ano, o bloco traz um samba composto com a colaboração de Rafael dos Santos e Bernardo Machado, integrantes do bloco que, este ano, tiveram suas composições escolhidas para os desfiles da Portela e da Mangueira, respectivamente.

De acordo com o presidente do bloco, Bruno Negreiros, a única inovação neste ano será a ausência de uma bateria tradicional, substituída por uma banda em cima do carro de som. Para Pedro Nino, um dos fundadores do “Ih, é carnaval”, não houve tempo para preparar surpresas. “O bloco foi organizado às pressas, todos estavam muito sobrecarregados”, conta Nino. “Precisamos nos reestruturar para os próximos anos”, completa. 

Criado por alunos do Instituto de Economia da UFRJ (IE/UFRJ), o nome “Ih, é carnaval” surgiu a partir de uma brincadeira com a sigla da unidade: IE. Segundo Negreiros, o bloco recebeu muito apoio do DCE com os ensaios, que são realizados desde o dia 7 de Janeiro. “Temos feito ensaios no espaço do DCE e vendemos camisas para angariar fundos”, explica o presidente.

O “Ih, é carnaval” foi criado em 2003, com o objetivo de combater as proibições impostas pelo então reitor, José Henrique Vilhena, que impediu a realização de eventos culturais e a venda de cerveja no campus. Entoando o samba “Sujinho que saudades”, o bloco saiu com a bateria treinada pelo Mestre Faísca do Império, que ministrou uma oficina de percussão na Praia Vermelha. Segundo Negreiros, em 2005, o “Ih, é carnaval” foi parado pela polícia em pleno desfile por falta de autorização. “Quase que o bloco todo foi preso. Foi um desespero”, recorda.

“Minerva Assanhada” pode voltar ao carnaval em 2010

O bloco “Minerva Assanhada”, criado em 2003 pelo então reitor da UFRJ, Carlos Lessa, e extinto em 2006, pode voltar a desfilar ainda este ano. O anúncio é de Roberto Medronho, professor do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (IESC) e um dos compositores e criadores do bloco. “O objetivo é sair ainda no primeiro semestre, num carnaval fora de época”, revelou. O desfile, que ainda precisa do aval da Prefeitura Universitária, sairia do Centro de Ciências da Saúde (CCS) e terminaria no prédio da Reitoria.

Segundo Medronho, a ressurreição do “Minerva Assanhada” tem o apoio dos estudantes do setor. “Foi uma ideia que surgiu no fim do ano passado junto com o Centro Acadêmico de Medicina e Saúde Coletiva”, explica. O professor afirmou que já possui os instrumentos necessários para o desfile, “só dependemos do espírito revolucionário e carnavalesco dos estudantes”.

O Minerva se assanhou no samba carioca pela primeira vez em 2003, acumulando o prestígio de ser batizado pelo famoso Cordão do Bola Preta e de ter seu samba gravado pelo cantor Dudu Nobre. Segundo Medronho, a ideia surgiu após uma discussão acalorada numa sessão do Conselho Universitário. “O Lessa saiu e me perguntou: ‘Tem gente muito mal-humorada aqui, vamos criar um bloco?’, e respondi direto ‘claro!’”, lembra. Medronho diz que o nome veio naturalmente: a Minerva, deusa da sabedoria e símbolo da UFRJ, que não consegue resistir aos encantos do carnaval.

Desfilando pela Avenida Rio Branco, no centro do Rio de Janeiro, o bloco entoou sambas repletos de críticas sociais. A queda da bolsa de valores, um decreto do Ministério da Educação limitando a autonomia universitária e até mesmo a demissão de Carlos Lessa do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foram alvos dos batuques da Minerva. Contudo, Medronho admite que o samba de maior sucesso, composto por ele, Noca da Portela, Flávio Oliveira e Tiko Dorilêu, foi justamente o que reverenciou a musa do bloco: “Eu vou cair de corpo/ E alma na folia/ Me entregar/ à deusa da sabedoria”, diz a letra.

Em um dos ensaios do bloco, já depois de algumas cervejas, Medronho concedeu uma entrevista a uma repórter que pediu para o professor definir o “Minerva Assanhada”. Medronho respondeu: “É o único bloco que tem como patrono um banqueiro que não é do bicho”. A frase repercutiu nas páginas dos principais jornais no dia seguinte. “Tive medo de o Carlos Lessa, que nem é banqueiro e odeia o tipo, ficar chateado, mas ele adorou a brincadeira”, conta rindo, em referência ao ex-presidente do BNDES, no período de janeiro a novembro de 2003.

Apesar do prestígio, o “Minerva Assanhada” desfilou pela última vez em fevereiro de 2005. De acordo com Medronho, o bloco foi vítima da falta de mobilização de seus fundadores. “Cada um foi fazer uma coisa, não teve organização”, recorda. Contudo, o professor afirma que há grandes expectativas para a volta do “Minerva”. “Estou muito animado. Todos estão”, promete.

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