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Edição 232      02 de dezembro de 2008


De Olho na Mídia

Um olhar sobre as enchentes

Lorena Ferraz

imagem ponto de vista

Segundo um relatório divulgado pela Defesa Civil, no último domingo (30), o número de mortes provocadas pela chuva em Santa Catarina chega a 114. Além disso, cerca de 78 mil pessoas estão desalojadas e desabrigadas. Esta é a triste realidade de muitos brasileiros que vivem no Sul do país. Nessa época do ano, as chuvas sempre aumentam na região. A meteorologia já anunciava chuvas fortes e constantes para 2008. No entanto, grande parte da mídia está tratando as enchentes como um dado surpreendente e inesperado.

Para Jorge Xavier, chefe do departamento de Geografia UFRJ, a mídia quer veicular notícias que tenham um nível de informação atualizada. E, por isso, dá aos fatos um tom de novidade quando, na verdade, o que se vê é uma “trágica repetição”.

Segundo Xavier, as chuvas que atingiram o Vale do Itajaí se formam quando centros de alta e baixa pressão se concatenam no oceano Atlântico gerando massas úmidas que progridem em direção ao continente.

— A fim de mitigar os efeitos de uma chuva de grande porte, devem ser criados planos de contingência, isto é, um levantamento prévio dos locais que podem ser atingidos, uma avaliação de prioridades no que diz respeito à aplicação de recursos e de tempo e um estudo prévio da distribuição dos recursos caso o acidente seja inevitável – explicou Xavier.

O professor destacou ainda a falta de planos de contingência para outras regiões do país como o Sudeste. ”Não existe um plano de contingência para o caso de enchentes na Barra da Tijuca, por exemplo. No entanto, as enchentes ocorrem com uma frequência extraordinária nesse bairro impedindo, inclusive, o acesso à Linha Amarela”.

Segundo o ambientalista, é preciso levar em conta as peculiaridades geográficas da região afetada por enchentes, conhecendo o clima local, a vegetação e os alimentos típicos da área, para que seja prestada uma assistência eficiente às vítimas.

— O Governo Federal destinou, logo na primeira semana dos incidentes, mais de um bilhão e meio de reais para o estado de Santa Catarina. Para Xavier, no entanto, as verbas deveriam ser empregadas em ações preventivas: “diante de uma tragédia como essa, considero válido o envio de verbas feito pelo Governo Federal. Mas devemos ter em mente que esse dinheiro está sendo mal aplicado. Ele deveria ser empregado em ações preventivas. É preciso que os governantes deixem de agir apenas em situações críticas, quando não fazer nada significa uma perda política”, esclareceu o professor.

A universidade e as enchentes

Para Jorge Xavier, a universidade pode ter um papel importante no enfrentamento de enchentes e de outros desastres climáticos. “Em casos como o de Santa Catarina, as universidades contribuem traçando atividades preventivas e indicando ações posteriores. No que diz respeito à prevenção, as instituições de ensino superior fazem um levantamento dos riscos ambientais como os riscos de enchentes e de desmoronamentos”, explicou.

Segundo Jorge Xavier, “para que tragédias desse tipo não voltem a acontecer é preciso haver uma ajuda mútua entre os pesquisadores e o governo. E também é necessário que a mídia esteja sempre nos lembrando dos efeitos dessa ocorrência evitando que os erros do passado se repitam, no futuro”, esclareceu.


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