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Edição 217      19 de agosto de 2008


Entrelinhas

A música na corte de D. João VI

Camilla Muniz

capa do livro

No ano da comemoração dos 200 anos da chegada da Família Real ao Brasil, André Cardoso, diretor da Escola de Música (EM) da UFRJ, lança o livro A música na corte de D. João VI. A publicação integra uma série de obras que abordam o período de permanência da Corte portuguesa no país.

Considerando a efervescência cultural da época, o livro analisa a música produzida na Europa durante o período anterior à vinda da Família Real — que influenciou fortemente a colônia — e explica as diferentes manifestações musicais surgidas no Brasil após a chegada dos nobres portugueses. Segundo o autor, A música na corte de D. João VI é dirigido a todos que querem aprender um pouco mais sobre a música brasileira. “O livro não é exclusivamente para o público especializado de músicos ou musicólogos, mas para quem quiser conhecer a música do Brasil — especialmente do Rio de Janeiro — no período joanino. Evitei a abordagem acadêmica e técnica para fazer análises mais relacionadas à história”, afirma o professor.

Em entrevista ao Olhar Virtual, André Cardoso revela alguns detalhes do livro e comenta a importância da música para momentos marcantes da história do Brasil.

Olhar Virtual: De que forma a pesquisa para a produção do livro foi desenvolvida?

Esse é meu assunto de trabalho já há algum tempo. Meu primeiro livro, A música na Capela Real e Imperial do Rio de Janeiro, possui uma parte dedicada ao tema. A pesquisa foi desenvolvida no sentido de agregar material a trabalhos anteriores. Foi muito prazeroso pesquisar sobre música militar e popular da época, como modinhas e lundus. Pude consultar uma bibliografia bastante extensa e buscar informações em documentos originais para tentar traçar um painel mais amplo possível da música brasileira naquele período.

Olhar Virtual: Como era a produção musical brasileira antes de 1808?

Antes da chegada da Família Real, a música desenvolvida no Brasil era essencialmente sacra. Todas as igrejas possuíam coro, mestre de capela e pelo menos um organista. No Rio de Janeiro, um padre chamado José Maurício Neves Garcia se destacava como um dos maiores músicos do seu tempo. Posteriormente, ele foi nomeado mestre de capela de D. João VI até a chegada do mestre de capela de Portugal, em 1811. A música do Rio de Janeiro na época já era suficientemente desenvolvida — pela qualidade dos músicos e das composições — para surpreender o monarca.

Olhar Virtual: Por quais transformações a música brasileira passou com a chegada da Família Real ao Brasil?

A chegada de músicos estrangeiros ao Brasil possibilitou que nossos compositores escrevessem novas obras. As orquestras também ganharam um maior número de músicos e de instrumentos. Além disso, o padre José Maurício Neves Garcia começou a adaptar o estilo de suas composições ao gosto da Corte portuguesa. Assim, a música sacra adquiriu ares de música lírica, tornando-se cada vez mais parecida com o que se ouvia nos teatros de ópera.

Olhar Virtual: Qual a importância de se entender a história da música para compreender a história brasileira de maneira geral?

A história da música faz parte da chamada Grande História. Os eventos políticos e sociais estão diretamente relacionados às obras executadas na época. Quando D. Maria I faleceu, por exemplo, D. João VI pediu que o padre José Maurício compusesse um réquiem para a morte de sua mãe. Obras também foram compostas quando D. João VI foi aclamado novo rei e quando o Brasil se tornou Reino Unido de Portugal. A música não está isolada de seu contexto social. E como o período joanino é importantíssimo para a história do Brasil, é igualmente importante para a história da música.

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