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Edição 150      15 de março de 2007


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Tabaco, genética e comportamento

Luíza Duarte

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O Núcleo de Estudo e Tratamento do Tabagismo (NETT-HUCFF) em parceria com Instituto de Química da UFRJ desenvolve pesquisa que pretende avaliar a relação entre as características genéticas e o hábito de fumar.

A pesquisa possibilita a identificação de grupos de risco. Através da análise da herança genética, é possível saber o grau de ação de determinadas substâncias no organismo, como a vida útil da nicotina no corpo. Dessa forma, pessoas que teriam propensão à dependência mais intensa podem ser detectadas e receber um tratamento mais adequado.

A pesquisa vai nos ajudar a entender melhor, as diferentes reações aos tratamentos e as diversas taxas de dependência, ressalta o pneumologista Alberto Araújo, coordenador do NETT.

O NETT está coletando sangue de cerca de 400 voluntários, homens de 18 a 65 anos que nunca tenham fumado. Os interessados devem entrar em contato com o núcleo por telefone e agendar entrevista. Numa segunda fase, essas amostras de sangue serão comparadas com as de homens fumantes que já passaram pelo tratamento do núcleo. Os resultados serão divulgados dentro de 18 meses.

O Instituto de Química é o responsável pelos testes e análises estatísticas da pesquisa, financiada pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e pelo Ministério da Saúde.

Há cinco anos, o NETT do Hospital Universitário trabalha gratuitamente para combater o tabagismo. Dois terços de seus pacientes vêm do próprio hospital. Eles fazem o tratamento por orientação médica e já chegam ao núcleo com a saúde seriamente comprometida. Parar de fumar é pré-condição para seguir o tratamento de doenças graves ou ser submetido a uma intervenção cirúrgica. A procura espontânea é feita majoritariamente por mulheres de baixa renda, moradoras das comunidades vizinhas ao Fundão. O serviço ainda atende funcionários da UFRJ.

Durante o tratamento são realizadas seis reuniões semanais de duas horas de duração, com palestras de sensibilização e auxílio de medicamentos, quando necessário. Depois as sessões passam a ser quinzenais. Para evitar que pacientes voltem a fumar, há encontros mensais de manutenção realizados durante o ano.

A maior parte das pessoas que procura esse tipo de tratamento consegue parar de fumar em até três meses, mas o índice de recaída é muito grande. Os pacientes estão na faixa dos 45 anos e a maioria já tentou parar de fumar sem auxilio e não conseguiu. Segundo o Alberto Araújo, 40% dos pacientes tem uma recaída antes de completar seis meses sem fumar. Por isso, a importância das sessões de manutenção e do apoio do corpo de voluntários ex-fumantes.

Parar de fumar, uma questão de responsabilidade social

Estudos mostram que cada pessoa que deixa de fumar, influencia outras dez a pararem ou buscarem ajuda. Que cigarro faz mal a saúde, e gera de dependência química, todo mundo sabe. A novidade é que parar, hoje, é uma questão de responsabilidade social.

A fumaça do cigarro é prejudicial à camada de ozônio, alerta o professor Alberto Araújo. Atualmente existem no mundo 1,3 bilhões de fumantes, o que torna de parar de fumar uma atitude ecológica. Além disso, a indústria do cigarro é considerada uma das mais poluentes.

Freqüentemente associado ao glamour e a liberdade, fumar começa a ser entendido como o divisor de quem pode viver mais e com qualidade de vida. Quem para de fumar reduz a pressão arterial, o batimento, o nível de stress e aumenta a capacidade respiratória. Para o Alberto Araújo, as pessoas fumam por não conseguir dar conta de suas dificuldades. O cigarro é depressivo. É um ato compulsivo e exige do organismo uma reposição de propriedades químicas em curto prazo. Passados 40 minutos começam os sintomas da abstinência.

A iniciação ao tabagismo ocorre na adolescência. Começando a fumar nessa idade, há mais chance do jovem se tornar um adulto dependente. O fator comportamental é decisivo. Filhos de fumantes têm mais chance de fumar, assim como pessoas tímidas ou depressivas. O papel da mídia também é muito forte, promovendo o cigarro de forma positiva. O projeto Transformando Potencialidade em Futuro, mantido pelo NETT, trabalha para conscientizar sobre o tabagismo. São desenvolvidas ações junto aos alunos da Escola Municipal Tenente Antônio João, criando agentes multiplicadores em suas comunidades.

Para Alberto Araújo, o tabagismo é hoje responsável por grande parte das doenças que levam a morte no Brasil. Em 2020, será uma doença do Terceiro Mundo, da pobreza e das mulheres.

Contatos com o Núcleo de Estudo e Tratamento do Tabagismo (NETT-HUCFF) podem ser feitos de 2ª a 6ª feira, pelo telefone (21) 2562-2195.

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